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Vitamina D

Nas últimas décadas, houve um grande interesse clínico sobre a vitamina D. Certamente, é a substância nutricional mais bem estudada. Além de seus aspectos de ação como vitamina, a vitamina D tem sido reconhecida como um hormônio envolvido em várias funções. Apesar da evidente função de metabolismo ósseo, pesquisas têm demonstrado possíveis benefícios da vitamina D na prevenção de doenças crônicas como o diabetes, depressão, doenças cardiovasculares, doenças reumáticas e, inclusive, em algumas formas de câncer.

O termo “vitamina” nos leva a associar a alimentação como a forma natural de suprir nossas necessidades. Porém, a vitamina D é fornecida ao nosso organismo pela conversão de seus precursores após à exposição aos raios ultravioleta. No Brasil, são poucos alimentos que possuem vitamina D e, destes, a concentração da vitamina não é o suficiente para manter a concentração sérica ideal. Desta forma, na prática podemos definir que a aquisição de vitamina D depende de nossa exposição ao sol.

Hoje sabemos que a prevalência de insuficiência e deficiência de vitamina D são mais elevadas do que imaginávamos. No Brasil, acreditou-se que seriam poucos os casos de deficiência de vitamina D porque é um país tropical. Entretanto, estudos mostram que a maioria da população apresenta valores séricos de vitamina D abaixo do desejado. E isto tem sido observado mesmo na região Nordeste do país, local este associado às praias e à exposição solar. Habitualmente, reconhece-se que a exposição solar efetiva é de 10 minutos diários, mas há uma grande variabilidade deste tempo devido à idade, cor de pele, posição geográfica, utilização de medicamentos, etc.
Muitos estudos têm sido realizados, mas ainda há controvérsias em relação qual o valor ideal de vitamina D sérica. E, ainda, se estes valores, que estão associados à saúde óssea, também seria adequado para as novas condições clínicas associadas à vitamina D.

Outro desafio, é a metodologia utilizada para a mensuração da vitamina D. Têm sido utilizado a dosagem da 25 (OH) Vitamina D que, apesar de não ser a forma ativa, possui uma maior meia-vida e exprime uma melhor correlação com o estado clínico dos níveis da vitamina D. Habitualmente as quantificações séricas da vitamina têm sido realizas com os métodos de imunoensaios, mais recentemente os métodos de espectrometria de massa têm sido utilizados. Ambas técnicas apresentam dificuldades ou de acurácia ou de calibração. Por isto, McMillan e colaboradores, em uma revisão recente, ressaltam a necessidade de realizar as dosagens em laboratórios que realizam rigorosos controles de qualidade de seus métodos.

Pelas razões citadas anteriormente, as dosagens da 25-OH vitamina D têm sido um dos exames mais solicitados nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil.



Mais um motivo para dosar seu colesterol

Estudos recentes demonstraram associação entre níveis de HDL colesterol e uma diminuição cognitiva, incluindo demência em idosos, independente de doença aterosclerótica. Neste estudo foi avaliado o nível de HDL, Colesterol total, LDL e Triglicerídeos em 561 pacientes de 85 anos. Foram encontrados diferenças estatisticamente significativas nas habilidades mentais em pacientes com baixos níveis de HDL, que apresentaram pontuação mínima ao exame de condição mental ao contrário daqueles com níveis elevados de HDL. Esta associação foi elevada naqueles pacientes que não possuíam evidências de doenças cardíacas ou acidentes vasculares cerebrais.

Pacientes com HDL baixo tem a possibilidade 4x maior de demência do que aqueles que o possuem em nível elevado. Os níveis de Colesterol total, LDL e Triglicerídeos não interferem nas habilidades mentais.

Sugere-se que pessoas na faixa de 80 anos mantenham níveis sangüíneos de HDL em torno de 40 mg/dl, como o recomendado pela American Heart Association, podendo estes níveis serem elevados pela prática de exercícios constantes, perda do excesso de peso e não fumar.

Mais estudos serão necessários para determinar se o aumento dos níveis de HDL poderá prevenir problemas de memória em idosos.

Referência
Exel Ev et al. "Association between high-density lipoprotein and cognitive impairment in the oldest old." Annals of Neurology 51(6):716-721
The Washington Post. "Good cholesterol may increase mental ability in the elderly." June 18, 2002, HE06.